Imagem: Reprodução/@utopiamaceradaenchocolate no Instagram
O caso da artista e cicloviajante Julieta Hernández ganhou desfecho nesta semana.
Um casal foi condenado por latrocínio e ocultação de cadáver, crimes cometidos contra a venezuelana que viajava de bicicleta pelo Brasil levando arte, solidariedade e inspiração por onde passava.
O crime que chocou a comunidade ciclista
Julieta desapareceu em 23 de dezembro de 2023, durante uma viagem de bicicleta pelo Amazonas, na região de Presidente Figueiredo (AM).
De acordo com a investigação, o casal Deliomara dos Anjos Santos e Thiago Agles da Silva tentou roubar o celular da cicloviajante. Ela reagiu e acabou sendo agredida e morta.
O corpo foi encontrado dias depois, enterrado em uma cova rasa, às margens da BR-174.

Sentença: mais de 37 e 41 anos de prisão
A Justiça do Amazonas condenou:
• Deliomara dos Anjos Santos a 37 anos, 11 meses e 10 dias de prisão, além de multa.
• Thiago Agles da Silva a 41 anos e 3 meses, também em regime fechado.
A juíza manteve a prisão preventiva dos dois até o fim do processo.
Eles foram absolvidos da acusação de estupro, por falta de provas conclusivas.
Fonte: Tribunal de Justiça do Amazonas (tjam.jus.br).
Quem era Julieta Hernández
Julieta era artista de rua e palhaça, conhecida como “Miss Jujuba”, e viveu boa parte da vida viajando de bicicleta.
Migrante venezuelana, ela transformou o pedal em modo de vida, conectando arte, solidariedade e liberdade.
Em 2023, planejava voltar para o país natal pedalando, mais uma etapa da sua trajetória de resistência e beleza sobre duas rodas.
Assista abaixo um vídeo que gravei para meu Canal Bike no Ar TV.
O que esse caso representa para quem pedala
O assassinato de Julieta levantou debates importantes na comunidade cicloturista e entre mulheres que viajam sozinhas.
Temas como segurança no pedal, violência de gênero e vulnerabilidade de quem viaja sozinho(a)voltam ao centro das conversas, e precisam continuar sendo falados. Viajar de bicicleta é um ato de liberdade. Mas liberdade também precisa de segurança, respeito e empatia.
Reflexões para o mundo do cicloturismo
- Mulheres que pedalam enfrentam riscos que ainda são invisíveis em muitas rotas.
- A violência de gênero também atinge quem busca uma vida simples e sustentável.
- A luta por respeito e segurança nas estradas é coletiva e precisa de apoio de todos nós.
Julieta Hernández virou símbolo.
De coragem, de arte, de resistência, e da urgência de tornar o mundo mais seguro para quem escolhe viver pedalando.
Fonte: UOL, MigraMundo



