O feriado de 21 de abril está batendo na porta e eu sei muito bem qual é a primeira coisa que passa pela cabeça de quem pedala quando vê um feriado prolongado no calendário: “para onde eu vou levar minha bike dessa vez?”. Preparar o equipamento, fazer aquela revisão preventiva na relação da bike, calibrar os pneus e jogar a magrela no carro é quase um ritual sagrado.
Neste feriado, que carrega um peso histórico gigante para a formação do nosso país, eu quero indicar um roteiro que une desafio físico, muito suor, técnica apurada e uma imersão cultural fantástica. O nosso destino de hoje é a cidade de Tiradentes. Mas antes de girar o pedivela e falar sobre altimetria, vamos relembrar rapidinho o que significa essa data para a nossa história e por que pedalar por lá tem um gosto especial.
O Que Realmente se Comemora em 21 de Abril?
Nós aproveitamos o dia de folga merecido para fazer nossos giros, mas a história por trás do 21 de abril é densa e fundamental. A data marca exatamente o dia em que Joaquim José da Silva Xavier, que ficou conhecido para a eternidade como o Tiradentes, foi executado no ano de 1792.
Ele foi a figura central e o grande símbolo da Inconfidência, um movimento revolucionário que lutou contra os impostos abusivos (a famosa derrama) cobrados pela coroa portuguesa durante o ciclo do ouro no século XVIII. Hoje, nós honramos essa história de resistência desbravando as antigas rotas coloniais. E, cá entre nós, não tem jeito melhor de fazer isso do que no selim da nossa bicicleta de cicloturismo, sentindo a poeira e o terreno bruto por onde tanta história já passou.
Cicloturismo na Cidade de Tiradentes: O Desafio da Serra de São José
Se você quer sentir o peso da história e, ao mesmo tempo, testar a força das suas pernas e a sua habilidade na pilotagem, a cidade de Tiradentes é o palco perfeito. O grande destaque ali, e o que eu recomendo fortemente para vocês que acompanham o Bike no Ar, são as rotas brutas que cortam a imponente Serra de São José, um paredão de pedra que emoldura a região.
Para quem busca adrenalina, cascalho solto e paisagens que não se vê todo dia, destaco duas rotas obrigatórias que vão exigir o máximo de você e da sua relação de marchas:
A Temida Trilha da Caixa d’Água
Prepara o fôlego, o joelho e a paciência. A Trilha da Caixa d’Água é um trajeto com ganho de elevação considerável, trechos de rocha exposta e single tracks que vão exigir o máximo da sua pilotagem e de aplicar boas técnicas de subida no cicloturismo. Aqui, o pneu traseiro precisa estar com a calibragem perfeita para não patinar nas pedras. O visual lá de cima compensa cada gota de suor e é o momento perfeito para registrar aquele segmento suado no Strava.
O Rápido e Cênico Caminho do Sol
Para quem gosta de girar forte e manter o pace, o Caminho do Sol é espetacular. Um percurso contornando a base da serra, focado em estradão de terra batida. É aquele tipo de pedal onde você se sente engolido pela natureza, cruzando riachos e desenvolvendo uma boa velocidade constante. Ideal para trabalhar a resistência e curtir o barulho do pneu cravando na terra.
A Estrada Real e o Planejamento do Pedal
Vale lembrar que boa parte desses caminhos na região da cidade de Tiradentes cruza trechos da lendária Estrada Real. É literalmente pedalar por onde o ouro do Brasil colonial escoava no lombo de mulas há centenas de anos.
Como o terreno na serra pode ser traiçoeiro e o sinal de celular costuma sumir do nada, o planejamento é tudo. Não esqueça de conferir nosso checklist completo de o que levar em um pedal longo para não passar aperto na trilha. Além disso, sempre recomendo que vocês baixem os arquivos GPX no seu celular através do Wikiloc ou peguem os mapas e planilhas oficiais no site do Instituto Estrada Real antes de sair de casa.
Relembrando Meus Pedais por Terras Históricas
Falar de pedalar por rotas com tanta bagagem cultural sempre me faz lembrar das expedições de cicloturismo que já fiz e documentei aqui no Bike no Ar. Se esse feriado na cidade de Tiradentes acender em você aquela chama de fazer viagens mais longas, com alforjes cheios e dias a fio na estrada, vocês precisam ver o que já encaramos.
Para quem gosta de mergulhar na leitura sobre os desafios físicos e mentais de rotas de longa distância e grande altimetria acumulada, dá uma olhada neste artigo completo aqui do blog sobre o Cicloturismo Religioso e os desafios do Caminho da Fé. É um relato sincero sobre o que acontece com o corpo e a mente depois de dias pedalando.
Agora, se a sua pegada é audiovisual e você quer ver a viagem rodando na prática, corre no nosso canal do YouTube. Recomendo muito o documentário completo que fiz sobre o Circuito Guimarães Rosa e a Festa de São Geraldo, cheio de cultura regional. E, claro, para quem quer ver o sofrimento real das montanhas, confira o Episódio 5 do Caminho da Fé 2021, que mostra a realidade nua e crua de um pedal de vários dias enfrentando frio, chuva e muita subida.
E aí, bora dar um trato na corrente, arrumar os alforjes e colocar a bike no rack rumo à cidade de Tiradentes neste feriado de 21 de abril? Deixe aí nos comentários qual vai ser o seu roteiro, quantos quilômetros pretende rodar e como está a preparação da magrela para o feriadão!



