Cinco meses de silêncio, de angústia e de uma pergunta que ecoava em cada pedalada nossa pelas ruas de São Paulo: onde está o homem que tirou a vida de Marina Harkot?
Nesta quarta-feira (22), finalmente tivemos uma resposta. José Maria da Costa Júnior, o empresário condenado por atropelar e matar a ciclista e pesquisadora Marina Kohler Harkot em 2020, foi capturado em Pouso Alegre, no sul de Minas Gerais.
Para nós, do Bike no ar, essa não é apenas uma atualização policial. É um capítulo crucial na luta contra a cultura da impunidade que mata ciclistas todos os dias no Brasil.
A captura e os detalhes da fuga
Após ser condenado em novembro de 2025 a 13 anos de prisão (12 por homicídio doloso e um por omissão de socorro), José Maria desapareceu. Enquanto a justiça ratificava sua pena em segunda instância, o empresário escolheu o caminho da clandestinidade, ignorando até mesmo os conselhos de sua própria defesa para se apresentar.
A prisão ocorreu em solo mineiro, e agora o condenado aguarda o julgamento de um pedido de habeas corpus no STF. Mas o recado das autoridades é claro: não há esconderijo que dure para sempre quando a sociedade exige justiça.
Um crime que chocou São Paulo e o Brasil
É impossível falar da prisão sem relembrar a brutalidade do que aconteceu naquela noite de novembro de 2020, na Avenida Paulo 6º. Marina, uma voz ativa e brilhante na luta pela mobilidade urbana, foi atingida pelas costas.
Os laudos periciais foram contundentes:
- Embriaguez: O réu apresentava sinais claros de consumo de álcool.
- Alta velocidade: Ele estava a mais de 90 km/h em uma via de 50 km/h.
- Omissão: Fugiu sem prestar qualquer auxílio.
A imagem que jamais sairá da nossa memória foi captada pelas câmeras do prédio do empresário momentos após o crime: ele no elevador, sorrindo, como se a vida de uma jovem de 28 anos não tivesse sido ceifada pelo seu Hyundai Tucson minutos antes.
Por que este caso é um marco para o cicloativismo?

O caso de Marina Harkot tornou-se um símbolo. Ela não era apenas uma ciclista; ela estudava a cidade, pensava a bicicleta como ferramenta de transformação e ocupava os espaços com inteligência e afeto. Sua morte escancarou como o carro ainda é usado como arma e como o sistema judiciário, muitas vezes, é lento em responder à altura.
Ver o responsável atrás das grades, após meses de deboche à justiça como foragido, traz um alento — ainda que tardio — para a família, amigos e para todos nós que pedalamos.
O que esperar agora?
A defesa de José Maria continua tentando recursos para que ele responda em liberdade, mas a manutenção da pena pelo TJ-SP dá força à tese de que crimes de trânsito cometidos com dolo (quando se assume o risco de matar) precisam de punições exemplares.
Nós continuaremos acompanhando. Por Marina, por cada ciclista que perdeu a vida no asfalto e por todos nós que resistimos sobre duas rodas. Justiça por Marina Harkot. Lugar de quem mata e foge é na prisão.
Fonte:
- Jornal Folha de São Paulo
- JC UOL – Mobilidade
- Estadão São Paulo
- Jovem Pan – Jornal da Manhã
- Vá de Bike



