No dia 15 de agosto eu parto para uma das viagens mais significativas que já planejei: o Pedal da Independência. A proposta é percorrer de bicicleta parte do caminho que Dom Pedro I fez a cavalo em agosto de 1822, no Vale do Paraíba, nas semanas que antecederam a Proclamação da Independência do Brasil.
A coincidência de datas é proposital. Enquanto em 1822 o então príncipe regente cruzava essas terras rumo a São Paulo para conter uma crise política e garantir apoio à causa da independência, eu vou pedalar entre 15 e 22 de agosto de 2026 — exatos 204 anos depois — pelas mesmas cidades onde ele dormiu, comeu, rezou e se reuniu com as autoridades locais da época.
Por que essa viagem

Já rodei por diversas regiões do Brasil e do mundo, explorando de perto o que é fazer cicloturismo rural, mas esse roteiro histórico tem um peso diferente. A proposta é sair da divisa entre São Paulo e o Rio de Janeiro e seguir, de bicicleta, o trajeto que Dom Pedro fez a cavalo e em mula naquele agosto de 1822 — o mesmo trajeto que, semanas depois, culminaria no grito do Ipiranga.
Não vou fazer isso sozinho. Estarei acompanhado do professor João Virgílio Tagliavini, pesquisador e historiador da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que vai me ajudar a mapear com precisão a rota histórica, checar os relatos da época e dar o embasamento que essa viagem merece. Juntos, vamos entrevistar moradores, autoridades locais e pesquisadores em cada cidade por onde passarmos.

O roteiro — por onde vou passar
No total, serão cerca de 200 km pedalados pelo Vale do Paraíba, passando pelas seguintes cidades:
Bananal
Chegada à cidade na divisa entre SP e RJ, onde Dom Pedro entrou em solo paulista em 1822.
Arapeí, São José do Barreiro e Areias
Trecho mais folclórico da rota histórica, com parada na fazenda onde o príncipe pediu comida sem se identificar.
Areias, Silveiras e Lorena
Chegada a Lorena, onde Dom Pedro cumpriu agenda pública em 1822.
Lorena, Cachoeira Paulista e Guaratinguetá
Passagem pela cidade da comunidade Canção Nova, rumo a Guaratinguetá.
Guaratinguetá, Aparecida e Pindamonhangaba
Passagem pelo Santuário Nacional, onde Dom Pedro rezou antes de seguir viagem.
Pindamonhangaba e região
Último dia de pedal pelas trilhas históricas antes do encerramento.
Encerramento e retorno
Cada uma dessas paradas tem uma fazenda, uma igreja, uma praça ou uma história ligada à passagem de Dom Pedro I por ali — e é isso que a gente vai documentar no caminho.
O que vamos produzir
Essa viagem não é só sobre pedalar — é sobre registrar. Ao longo dos sete dias, vou fazer um registro audiovisual completo da rota, das entrevistas e dos lugares históricos visitados. Todo esse material vai virar um e-book, o Caminho da Independência, contando em detalhes a viagem que Dom Pedro fez em 1822 e a viagem que eu vou fazer em 2026, lado a lado.
O que vem por aí
No próximo post aqui do blog, vou falar especificamente das cidades que vou visitar — a história de cada uma, o que dá pra ver e visitar por lá, e o que a pesquisa do professor Tagliavini já revelou de curioso sobre essa rota. Por enquanto, fica o convite: me acompanha nessa viagem pelas estradas que ajudaram a moldar a Independência do Brasil. Enquanto isso, dá uma conferida em outras rotas pelo país aqui no blog.
Começa aqui o Pedal da Independência. Nos vemos na estrada.



