Como cicloturista e bike repórter do Bike no Ar, acompanho com muito interesse iniciativas que ampliam as possibilidades de pedalar pela cidade de São Paulo. Por isso, chamou minha atenção a Trilha Interparques, uma rota de aproximadamente 182 quilômetros que conecta parques, unidades de conservação, represas e reservas particulares na Zona Sul de São Paulo.
Uma nova rota para conhecer São Paulo de bicicleta
A rota foi anunciada pela Prefeitura de São Paulo em 2025 e vem ganhando espaço entre ciclistas que procuram uma experiência diferente de ciclismo urbano, combinando bicicleta, natureza e áreas verdes.
Mais do que uma simples rota para pedalar, a Trilha Interparques pode representar uma nova maneira de descobrir uma região de São Paulo que muita gente ainda conhece pouco.
Trilha Interparques
| Extensão | 182 km |
| Região | Zona Sul de São Paulo |
| O que conecta | Parques, represas e reservas |
| Anúncio oficial | Prefeitura de SP, 2025 |
O que é a Trilha Interparques?
A Trilha Interparques foi concebida para conectar diferentes áreas verdes e unidades de conservação da Zona Sul da capital paulista.
Ao longo de seus 182 quilômetros, o percurso passa por regiões de características bastante diferentes, incluindo áreas próximas às represas e trechos de mata e trilhas.
Segundo a reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, a rota já era conhecida por atletas que utilizavam esses caminhos para treinamento. Alguns ciclistas mais experientes chegam a percorrer os 182 quilômetros em um único dia.
Para quem pratica cicloturismo, entretanto, a proposta pode ser bem diferente. Não existe necessariamente a necessidade de transformar a rota em uma competição. É possível aproveitar o percurso com mais calma, observando a paisagem, conhecendo as comunidades e descobrindo os diferentes ambientes existentes na Zona Sul de São Paulo.
Bicicleta, natureza e cicloturismo
Uma das coisas que mais me atraem no cicloturismo é justamente essa possibilidade de sair do ambiente urbano tradicional sem precisar deixar a cidade. A Trilha Interparques mostra esse potencial.
Em determinados trechos, o ciclista encontra caminhos estreitos em meio às árvores, conhecidos no universo das bicicletas como single track, onde a passagem é suficiente para uma bicicleta por vez. Esse tipo de experiência aproxima o ciclista da natureza e oferece uma sensação completamente diferente daquela encontrada nas grandes avenidas.
Mas a infraestrutura ainda precisa evoluir. A reportagem da Folha de S.Paulo destaca que existem trechos em que o ciclista ainda precisa compartilhar espaço com veículos motorizados e que a conexão entre diferentes partes da rota nem sempre é simples.
Esse é um ponto importante. Para que uma rota de cicloturismo funcione realmente bem, não basta ela existir no mapa. É necessário que o percurso seja bem sinalizado, seguro, conectado e acessível ao ciclista.
A importância do cicloativismo
É justamente aqui que vejo uma relação muito importante entre a Trilha Interparques e o cicloativismo.
“Quando uma rota passa a ser reconhecida oficialmente, ela deixa de ser apenas um caminho informal — passa a existir argumento concreto para cobrar infraestrutura, sinalização e segurança.”
— reflexão a partir da reportagem da Folha de S.Paulo, que ouviu a jornalista, cicloativista e vereadora Renata Falzoni sobre a Trilha Interparques
Foi exatamente esse um dos pontos destacados por Renata Falzoni, jornalista, cicloativista e vereadora de São Paulo, entrevistada pela Folha na reportagem sobre a Trilha Interparques. A existência legal da rota pode fornecer argumentos para buscar melhorias e tornar o trânsito mais tranquilo e seguro nos trechos compartilhados com veículos.
Para nós, que defendemos a bicicleta como meio de transporte, lazer, esporte e turismo, isso é muito importante.
Uma rota que também movimenta a economia local
Outro aspecto interessante da Trilha Interparques é o potencial de desenvolvimento econômico das regiões por onde passa. De acordo com a reportagem, a oficialização da rota começou a estimular o surgimento de pousadas, produtos e serviços voltados aos ciclistas.
Isso mostra que o cicloturismo pode ir muito além da bicicleta. Quando o ciclista viaja, ele precisa comer, beber, dormir, fazer manutenção na bicicleta e comprar produtos durante o percurso. Pequenos produtores e empreendedores locais podem se beneficiar diretamente desse movimento.
A reportagem também destaca a produção local de alimentos, como conservas, cogumelos, mel e geleia de araçá-vermelho. É exatamente esse tipo de conexão que considero uma das grandes riquezas do cicloturismo: a bicicleta aproxima o viajante das pessoas e da economia local.
Ilha do Bororé: um dos pontos do percurso
A região da Ilha do Bororé, na Zona Sul de São Paulo, aparece como um dos pontos relacionados ao percurso da Trilha Interparques. É uma região que já desperta o interesse de ciclistas e de pessoas que procuram experiências diferentes dentro da própria cidade.
Mas é também um exemplo dos desafios que ainda precisam ser enfrentados. Segundo a reportagem da Folha, o trecho inicial próximo à balsa apresenta circulação de veículos e características que podem dificultar a experiência de quem está de bicicleta.
Isso reforça uma questão que considero fundamental: uma rota de cicloturismo precisa ser pensada também sob a perspectiva de quem está pedalando. Não basta conectar pontos no mapa. É preciso pensar em como o ciclista chega, como atravessa cada trecho e como consegue continuar sua viagem com segurança.
182 quilômetros não significam necessariamente um dia de pedal

Uma das informações que mais chamam atenção é a extensão da Trilha Interparques. São 182 quilômetros. Atletas treinados conseguem realizar o percurso em um único dia, mas essa não precisa ser a realidade do cicloturista.
Eu sempre defendo que viajar de bicicleta não deve ser uma corrida contra o relógio. Para mim, o mais interessante é justamente poder parar. Fotografar. Conversar. Conhecer. Comer alguma coisa típica. Observar a paisagem. E continuar pedalando.
Uma rota de 182 quilômetros pode, portanto, ser dividida em diferentes etapas, permitindo uma experiência muito mais próxima do conceito de cicloturismo.
São Paulo também pode ser descoberta sobre duas rodas
A Trilha Interparques reforça algo em que acredito há muitos anos: São Paulo pode ser descoberta de bicicleta. Estamos acostumados a pensar na capital como uma cidade de trânsito, prédios, avenidas e grandes centros comerciais.
Mas existe uma outra São Paulo. Uma São Paulo de rios, represas, áreas verdes, comunidades, estradas rurais e trilhas. E a bicicleta é uma das melhores maneiras de chegar a esses lugares.
Para quem gosta de cicloturismo, a Trilha Interparques representa uma oportunidade de olhar para a Zona Sul com outros olhos.
Uma rota que ainda precisa evoluir
Também é importante deixar claro que a Trilha Interparques ainda apresenta desafios. A própria reportagem da Folha aponta dificuldades relacionadas à circulação de veículos, à sinalização e à conexão entre diferentes trechos.
Isso não diminui a importância da iniciativa. Pelo contrário. Para mim, significa que estamos diante de uma rota que pode evoluir. Quanto mais ciclistas utilizarem esses caminhos de maneira responsável, mais conhecimento teremos sobre suas necessidades. E quanto mais informações existirem, mais condições teremos para cobrar melhorias de infraestrutura e segurança.
Esse é um dos papéis do cicloativismo. Não basta reclamar. É preciso conhecer, utilizar, registrar, propor e participar da construção de soluções.
Quero conhecer a Trilha Interparques
Como bike repórter do Bike no Ar, considero iniciativas como essa muito importantes para o crescimento do cicloturismo em São Paulo. A Trilha Interparques reúne vários elementos que fazem parte daquilo que procuro quando estou sobre uma bicicleta: natureza, aventura, história, comunidades e a possibilidade de descobrir lugares diferentes pedalando.
Ainda há muito a ser feito para que os 182 quilômetros se transformem em uma experiência totalmente conectada e segura para os ciclistas. Mas o caminho está aberto. E, como todo cicloturista sabe, uma boa viagem começa justamente quando existe um caminho para seguir.
Leia a matéria completa
A Trilha Interparques foi tema de uma reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, que traz detalhes sobre os 182 quilômetros da rota e entrevista Renata Falzoni sobre os desafios e as possibilidades desse percurso. Vale a pena ler a matéria completa e conhecer melhor essa iniciativa que pode transformar a maneira de pedalar pela Zona Sul de São Paulo.
Renata Falzoni
Autora do Guia Legal do Ciclista
Jornalista e cicloativista com mais de 40 anos dedicados à mobilidade urbana sustentável. Iniciou sua carreira na ESPN Brasil em 1995, apresentando o programa Aventuras com Renata Falzoni por 12 anos, e foi pioneira na cobertura jornalística sobre duas rodas desde os anos 2000.
Fundadora do projeto Bike é Legal, hoje leva sua luta pelos direitos dos ciclistas e por cidades mais humanas para a Câmara Municipal de São Paulo, como candidata a vereadora. Na Trilha Interparques, foi entrevistada pela Folha de S.Paulo sobre os desafios e o potencial da rota.
Leia a entrevista completa na Folha de S.Paulo →
Fonte: Folha de S.Paulo – Trilha Interparques leva ciclistas por 182 km na Zona Sul de São Paulo.
Saiba mais sobre a rota: aromeiazero.org.br/interparques.
Nos vemos na estrada.
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